Ano de catástrofes ou esperança? - por Erton Köhler

Meu sepulcro
Respiro fundo e um cheiro doce parece tomar todo o ar que me envolve. Ouço música ao fundo. Boa música. Um coral, quase celeste.
Meus pés descalços tocam o fundo gelado, enquanto meu corpo quase flutua na água que bate à altura do peito. Não me oponho à força que me impulsiona para trás e, de olhos abertos, deixo a água me cobrir por completo. Eis o sepulcro da minha carne.
Não há luta; não resisto. Mesmo assim, sem resistência, sobem inúmeras bolhas, prismando a luz que reflete na água transparente.
Param as bolhas. Um arco-íris se desdobra estático à frente dos meus olhos. O tempo já não existe, permitindo minha mente viajar ao passado.
Eu queria ter uma história fascinante para contar. Queria dizer que fui um assaltante, um assassino, um alcoólatra; que usava drogas ou que me prostituía. Nada disso. Nada de excitante, nada de espetacular.
Um cara normal, de quarenta e dois anos; um eterno engravatado enfiado atrás de sua mesa empresarial de sucesso. Dois filhos adolescentes, uma bela esposa e uma conta bancária confortável.
Estranho é dizer que, apesar de tudo, sempre me senti vazio. Não era ganância, mas algo me faltava. A vida não podia ser aquele mundinho coberto pela minha rotina. Aliás, eis algo em que eu era campeão: manter a inabalável organização dos meus dias. Minha vida era regida por princípios de eficiência no trabalho, pelos cinco S's, por métodos de organização e essas coisas que se aprende em palestras motivacionais.
Enfim, minha história não daria um bom livro ou sequer um bom microconto. O leitor torceria o nariz nas primeiras linhas e abandonaria o conto da minha vida.
Mas por que morrer, se tudo estava tão perfeito, tão controlado, tão previsível, tão certo? Só posso dar uma resposta: a angústia.
Algo terrível me oprimia, me apertava o peito. Flagrava-me, vez ou outra, com um nó na garganta ou olhos cheios de lágrimas. Algumas vezes não suportei e, sozinho, chorei. Meu pranto sempre foi longe da família, não queria expressar qualquer fraqueza diante dela.
Cheguei a comentar por alto com amigos próximos. A sentença foi unânime: depressão.
Pois bem, me tratei. Fui medicado. Alguns dos remédios me deixaram meio abobado, menos produtivo, sonolento. Nenhum deles sarou minha inquietude, minha falta de perspectiva para a vida.
Deixei de lado aquela porcaria toda. Preferia ser um doido produtivo a um maluco movido por antidepressivos. Definitivamente, não era de remédios que eu precisava. Pode até funcionar para algumas pessoas, mas para mim não surtiu qualquer efeito.
Lembro-me de certa reunião com um cliente, ocorrida um ano atrás. Após nossa conversa, ele saiu da minha sala e deixou sobre a poltrona um pequeno folheto. Não sei se houve qualquer intenção na deixa daquele pequeno escrito, mas o fato é que ele me atraiu a atenção.
Sentado em minha poltrona, observei de longe parte das letras que anunciavam: "A solução para seus problemas." Girei-me na cadeira; para um lado e para o outro. Era demais querer me enganar que aquele papelote teria a solução para minha angustia.
Livrei-me de qualquer esperança e busquei o folheto. Li o cabeçalho da frase que me era, até então, invisível do outro lado da mesa: Jesus.
- Crentes! - a palavra saiu com desdém dos meus lábios. - Eles acham que é tão simples. Pensam que esse tal Jesus resolve tudo.
Sentei-me de volta na poltrona. O papel em minhas mãos ainda me convidava à leitura. De fato, meus olhos percorreram as letras, uma a uma, formando palavras e frases completas.
Não suportei. Chorei. Não sei dizer exatamente por que um artigo tão simples me tocou daquela forma intensa. Recordo de uma frase: "Jesus tem o exato tamanho do vazio de sua vida."
Impossível. Não podia ser tão simples. Não podia o tal Cristo ser a solução, ser o preenchimento para minha existência.
Peguei o telefone e limpei a garganta enquanto ligava para o celular do meu cliente.
- Antunes - eu disse na linha. - Sou eu, o Pedro. Você deixou cair um folheto aqui na minha sala.
- Ah, não se preocupe com isso, Pedro - disse a voz do outro lado. - Tenho vários aqui. Pode ficar com esse e, se tiver um tempinho, dê uma lida.
- Eu li - minha voz saiu um pouco embargada.
- Que bom. Espero que você tenha gostado.
- É verdade isso tudo que está escrito? Esse tal Jesus pode preencher o que falta em minha vida? Como eu faço?
Um breve silêncio precedeu a resposta. Creio que Antunes, naquele momento, não estava preparado para perguntas daquele tipo. Com certeza, ele sequer imaginava a dor que me afligia.
- Pedro, o que você conhece sobre Jesus? Você quer conhecê-lo de verdade?
- Não conheço praticamente nada. E, sim, se Ele tem uma solução para mim, eu quero conhecê-Lo.
Antunes me disse o que fazer e cumpri à risca. Desliguei o telefone e tranquei a porta do escritório. Ali, no meio da minha sala, um pouco acanhando com a situação, me ajoelhei e, pela primeira vez na vida, falei com Deus:
- Deus, eu tenho um vazio em meu coração. Entrego minha vida em Suas mãos, me faça um novo homem, molde-me à Sua imagem, preenche meu coração. Mate o velho homem; eu quero receber Jesus em minha vida.
Senti minha mente voltar ao presente. Meu corpo foi puxado das águas batismais - o simbólico sepulcro do velho homem; da minha carne. Ressuscitei como nova criatura, um filho de Deus renovado pelo poder de transformação do prometido Messias, Jesus. Enfim, batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
O coral da igreja pareceu entoar mais forte a música que cantava. Enquanto o pastor me abraçava dentro do tanque batismal, situado no alto, atrás do púlpito da igreja, me lembrei que um ano atrás eu me levantava daquela singela oração. Havia aberto as portas da alma para aceitar o Cristo e o vazio em meu peito era preenchido por uma paz sobrenatural.
Olhei para baixo e vi os demais fiéis cantando com o coral. Reconheci muitos rostos que me ajudaram na longa caminhada de estudos para chegar à completa convicção, pela Palavra de Deus, de qual era o ideal para minha existência. Mais que ser convencido, senti a mão operante de um Deus renovando meu ser.
Um cristianismo simples, de amor e respeito ao Criador, às Suas Leis e à Sua criatura, preencheu as lacunas da minha vida. Entreguei o velho homem, sepultei-o nas águas. Agora posso dizer: já não sou eu quem vive, Cristo vive em mim... e, claro, que venham os desafios desta nova vida, pois eu sei de onde virá meu socorro: ele virá do Senhor que fez os céus e a terra.
Denis Cruz
Fonte: Outra Leitura
O que perdi e o que ganhei

Certa vez, disse a um de meus alunos (daquele tipo meio rebelde) que eu gostaria muito de ter tido a oportunidade que ele tinha: de poder estudar num colégio adventista. Leia mais...
Fonte: Criacionismo
Testemunhando: "Frutos da Fé"
“Eu, porém, ponho minha esperança em Deus, o Senhor, e confio firmemente que Ele me salvará. O meu Deus me atenderá.”. Miq. 7:7
Freqüento a Igreja Adventista desde os meus 2 anos de idade, quando minha mãe começou a tomar estudos bíblicos com os irmãos de meu pai (e este não tinha interesse algum na igreja e nem em Deus!). Minha mãe se batizou em 1986 e de lá pra cá sempre procurou educar os quatro filhos nos caminhos de Deus. Com a conversão, vieram também as provações com meu pai, cuja vida se resumia a trabalhar durante a semana e passar os fins de semana em bares ou acampamentos e passeios com seus “amigos”, todos de conduta irregular, moralmente falando. Além da bebida, meu pai também fumava e era adúltero. Claro que ela sempre soube disso, mas a certeza veio quando eu tinha a idade de 14 anos, quando uma mulher ligou pra minha casa dizendo que meu pai tinha uma amante, e ainda mencionou nome e endereço. Minha mãe, certo dia, seguiu meu pai e o encontrou no tal endereço, conversando com uma mulher. A partir desse dia, nossa vida se tornou um verdadeiro inferno de brigas, choros, desconfianças...
Como muitos adolescentes de nossa igreja, minha vida cristã se resumia a ir à igreja aos sábados pela manhã, embora minha mãe fosse uma mulher de muita oração e leitura da Palavra. Fazíamos culto de vez em quando, mas ela estava SEMPRE orando! Isso teve uma influência muito boa em minha vida posteriormente. Bem, o fato é que eu não orava, não ia aos cultos, chegando até a ouvir conversas de que eu estava afastada! Mas, todo esse sofrimento de ver meus pais sempre brigando, meu pai dormindo fora de casa deixando minha mãe em prantos pelos cantos, tudo isso me fez ter o desejo de experimentar Jesus de verdade. Eu não acreditava em milagres pelo simples fato de não conhecer o Autor dos verdadeiros milagres. As cenas mais tristes de minha vida (briga entre meu pai e meu irmão, com faca e pau em mãos, e minha mãe sempre chorando e orando pelos cantos da casa) me constrangeram a buscar a Deus. Ia sempre aos cultos de quarta-feira pra pedir orações, e passei a orar em casa. Queria ver se Deus realmente poderia salvar minha família e o casamento de meus pais.
Houve vários episódios de tristeza, mas o mais crítico aconteceu em uma tarde de sábado, quando estávamos nos aprontando para passar o fim de semana no sítio. Meu pai entrou no carro e disse que ia ao mercado comprar algumas coisas; ofereci-me pra ir com ele, mas sem sucesso. As horas se passaram e às 17h meu pai ainda não havia chegado e nem dado notícias. Minha mãe nos chamou para orar e, assim que nos levantamos, o telefone tocou; era a amante de meu pai, dizendo que esteve com ele e que disse que a amava, que não amava mais minha mãe, etc. Meu irmão tomou o telefone de minha mãe e começou a brigar com a mulher; ele a ameaçou e desafiou-a a aparecer, que ela a mataria...foi horrível. Já à noite, meu pai ligou, bêbado, dizendo onde estava; minha mãe foi com meu irmão mais novo buscá-lo, o mais velho saiu com um amigo e eu fiquei em casa com minha irmã. Mais tarde, alguém bateu no portão...qual não foi minha surpresa ao abrir a porta e dar de cara com ELA! A mulher estava à procura meu irmão, e que não estava só (provavelmente aquele homem que esperava no carro estava armado). Graças a Deus, meu irmão não estava em casa...e ela se foi. Quando meus pais chegaram, ela começou a ligar...meu pai não quis atender e ela me disse que se ele não aparecesse no encontro deles, marcado para aquela noite, iria até minha casa matar a nós todos! Meu pai se levantou rapidamente da cadeira e pegou a arma guardada no guarda roupa: “Deixa ela aparecer, que quem vai morrer é ela!” Minha mãe gritava, eu também. Tomamos a arma de meu pai e resolvemos ir pra o sítio, já que estava tudo pronto. Lá chegando, o clima era de tristeza profunda: minha mãe dentro de casa, meu pai na rede no quintal. Deitei-me com meu pai na rede, encostei a cabeça em seu peito, e ele me disse: “Minha filha, eu tenho tentado, mas não consigo...eu não consigo!” Quanta dor e angústia havia naquela voz. Eu chorei, mas orei também naquele momento. Deus ouviu minhas orações e as de minha mãe que já pedia há anos, pois na segunda-feira seguinte meu era um novo homem: não quis mais saber da mulher que, inclusive, tentou suicídio. Começou a tomar estudos bíblicos e se batizou em dezembro de 2000. Foi o dia mais feliz de minha vida. Hoje vejo o poder de Deus de forma concreta, pois aquele homem que bebia e adulterava agora é um diácono da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Não lembro de meu pai me tratar com amor e carinho quando criança, mas hoje, quanta doçura ao se dirigir a mim! A conversão de meu pai não o atingiu apenas a ele, mas também minha vida passou a ter mais intensamente a presença do Autor dos milagres.
Nosso Deus não é de palavras. Ele cumpre suas promessas e se revela na vida daqueles que o buscam com fé.
Rita de Cássia Oliveira Góis
VIJOBBES especial em Itabaiana
No dia 10 de novembro, após a semana de oração, "A Última Crise da Terra", será realizado VIJOBBES (Vigília, Jejum, Oração, Batismo e Busca do Espírito Santo) na IASD de Itabaiana. Grande será este Sábado! Contamos com a participação especial do Grupo Órion e toda equipe de louvor, testemunho e oração do VIJOBBES.Você é nosso convidado especial. Venha, jejue e traga seu testemunho, participando desta adoração ao Criador!



